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Terça-feira, Outubro 05, 2004

Depois da tempestade vem sempre a bonança



É, ontem estava triste mesmo, e resolvi expor esta minha tristeza, passei o dia inteiro no trabalho com cara de morte, senti a dor bater lá no fundo mesmo do coração, dando aquele vazio, aquele nada, que nos dá um sintoma de perda...

Mas porque isso? Porque eu ainda acredito no amor, e por acreditar, pensei que a minha vida seria como a da Branca de Neve ou da Cinderela, e por isso ontem estava triste, triste porque eu descobri que isto não existe, que contos foram criados na imaginação e na imaginação eles devem permanecer... Eu não estou revoltada, só acordei pra vida, (eu sei que já tenho 29 anos), mas fazer o quê?! Tem gente que acredita em duende até hoje!

Pra falar a verdade, percebi que a nossa vida é esquisita, complicada ao extremo por nós mesmos, e cada um vai complicando a sua vida e ninguém se entende... Não quero dizer o que houve, mas já deu pra perceber que é sobre o meu coração... pois é, ele anda meio descompassado, aborrecido, e desiludido... mas isso é bom, bom pra mostrar o quanto sou forte, o quanto eu posso dar a volta por cima e crescer, vencer, me adaptar... não quero aqui, bancar uma de coitadinha, de pobre moça encalhada, não, não é isso! O que quero passar aqui, é que mesmo eu estando ferida, triste e abatida, por alguém que não sei se vale a pena, (é porque agora, nada é certo pra mim, viverei na incerteza até que me provem o contrário... ser racional é minha meta, e não é que serei uma pessoa mal amada, ranzinza ou coisa e tal, só pensarei mas na 1ª pessoa, EU!!!! Porque no final quem sofre não sou EU? Então porque pensar na 3ª pessoa do singular o tempo todo? Até porque ELE pensa na 1ª pessoa do singular, quase sempre...), mas como eu dizia acima - eu sou uma pessoa capaz de ser mais EU, de gostar mais de mim... Essa história de que uma andurinha só não faz verão é pura mentira, uma andurinha faz verão sim... porque se você se ama, se gosta, se respeita, não vai se sentir sozinha com a sua própria companhia, ao contrário, você vai se sentir bem, em paz, em harmonia... acho que é isso que todo mundo busca, mas sempre em outra pessoa, longe de querer dizer aqui que ninguém precisa de ninguém, mas só quero dizer que PRIMEIRO, devemos nos amar, nos respeitar, nos querer ver bem... para depois sim, tentar amar outra pessoa. E ontem em meu mais profundo desespero, (por conta de uma desilução amorosa, por saber que o homem que gosto, não pensa e nem sei se vai pensar em viver comigo) eu descobri que eu sou mais eu, eu descobri que eu tenho que pensar primeiro em viver comigo mesma, com meus grilos, com meus defeitos, com meus fantasmas, com o meu passado. Eu descobri que posso fazer um monte de coisas, sozinha ou acompanhada, mas eu POSSO! Eu descobri que sou inteligente, que eu já conquistei um monte de coisas, que eu já viajei para lugares maravilhosos, que eu tenho uma família que me ama e se preocupa comigo, que eu tenho dois cachorros lindos que me lambem quando chego, que eu tenho um quarto, uma televisão, dvd, cds, computador, que eu tenho saúde, que eu posso correr, dirigir, sorrir, que posso pensar, e que no final de tudo isso a minha tristeza acabou... e que, se quem esta comigo, não pensa em mim da forma que eu gostaria, azar o dele, pois está perdendo um monte de coisas boas...

Isso tudo se deu depois de uma conversa com a minha querida mãe, que esta sempre rezando por mim, preocupada comigo, e preocupada em não ver às pessoas me fazerem sofrer, porque ela sempre me disse que eu sou maior que tudo isso! E que aqui a lei do retorno é infalível! Por tanto, hoje eu digo que continuarei a seguir as minhas regras básicas para ser feliz, com um adendo a mais: Pensar sempre na 1ª pessoa do singular, sem ser egoísta e sem fazer ninguém sofrer...

Mãe eu te amo!!! Obrigada por você existir!!!

E se você chegou até aqui, obrigada por me 'ouvir'!!! E deixem comentários animadores!!!

Beijos a todos!!!

Bia Nunes § 3:28 PM §
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O rio do meio

Amadurecer
foi retirar os rostos e as peles
e começar a ver no espelho o verdadeiro eu
onde se lê uma severa contabilidade dos gastos e lucros,
saldos nem sempre tranquilizadores. Quanto de amargura, quanto de bom humor sobrou, quanta capacidade de se renovar?

Entender que não precisamos ser onipotentes é uma das maiores libertações. Ninguém, homem ou mulher, pai ou mãe, pode ser totalmente responsabilizado pela sorte de ninguém, por seus erros e acertos, por usa solidão ou felicidade - a não ser na medida justa, em que se é responsável por quem se ama, dentro dos limites da capacidade de cada um.

Na maturidade percebe-se que não importa tanto o que fizeram conosco, mas o que fizemos com o que eventualmente nos aconteceu. É uma indagação dramática, que na juventude parece algo a resolver num futuro muito remoto. Mas "de repente, tinham-se passado vinte anos". E nós, e nós? Precisamos descobrir que amadurecer não significa desistir nem estagnar.

Lya Luft
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