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sexta-feira, junho 25, 2004

Perdas e Ganhos...


Eu, nas ruas de Paris - França/2004

Este poema é basicamente um hino para mim, é tudo que sinto, que sou. É a minha definição propriamente dita. Do livro Perdas e Ganhos da grande Lya Luft, no primeiro capítulo, chamado Convite:

"Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre nos levamos
a sério."

Bia Nunes § 9:25 AM §
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O rio do meio

Amadurecer
foi retirar os rostos e as peles
e começar a ver no espelho o verdadeiro eu
onde se lê uma severa contabilidade dos gastos e lucros,
saldos nem sempre tranquilizadores. Quanto de amargura, quanto de bom humor sobrou, quanta capacidade de se renovar?

Entender que não precisamos ser onipotentes é uma das maiores libertações. Ninguém, homem ou mulher, pai ou mãe, pode ser totalmente responsabilizado pela sorte de ninguém, por seus erros e acertos, por usa solidão ou felicidade - a não ser na medida justa, em que se é responsável por quem se ama, dentro dos limites da capacidade de cada um.

Na maturidade percebe-se que não importa tanto o que fizeram conosco, mas o que fizemos com o que eventualmente nos aconteceu. É uma indagação dramática, que na juventude parece algo a resolver num futuro muito remoto. Mas "de repente, tinham-se passado vinte anos". E nós, e nós? Precisamos descobrir que amadurecer não significa desistir nem estagnar.

Lya Luft
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